Porque você não pode abrir mão de um website

A especialista em comunicação, Janaína Fogaça, mostra porque os sites seguem sendo um canal básico para garantir presença digital.


25/08/2020 14h20

Uma pesquisa recente revelou que mais de 120 milhões de brasileiros estão conectados à internet. Esse é o motivo principal para que empresas e instituições garantam o mínimo de presença digital. Quanto maior o número de canais digitais utilizados, maior será o número de pessoas disponíveis para ver os conteúdos.

A ideia parece simples, mas o que vem acontecendo é que, diante da popularização de uma plataforma ou outra, muitas instituições abrem mão da manutenção de canais básicos, como os sites, para atuarem, quase que exclusivamente, em redes sociais como Facebook, Instagram ou Whatasapp.

“O maior problema de concentrar as estratégias de comunicação nas redes sociais é o fato de que elas não atingem todos os públicos”, explica a jornalista Janaína Fogaça, que acaba de lançar o e-book Assessoria de Imprensa – Edificando marcas, promovendo negócios. Para Janaina, os sites ainda são fundamentais para qualquer tipo de empresa ou organização. “Sempre digo que antes de visitar a sua organização, o cliente procura conhecer o seu ambiente virtual para saber o que você oferece, onde você fica e como são as suas instalações. O site de uma empresa é a sua identidade digital em ambiente virtual”, explica.

A Varejo S.A falou com a jornalista para entender o papel e a importância que os sites ainda têm nas organizações. Confira a conversa.


Qual o papel dos sites hoje em dia? Eles ainda têm uma função importante na comunicação?

Os sites são fundamentais para qualquer tipo de empresa ou organização. Sempre digo que antes de visitar a sua empresa, loja, estabelecimento ou organização o cliente procura conhecer o seu ambiente virtual para saber exatamente o que você oferece, onde você fica, como são as suas instalações. O site de uma empresa é a sua identidade digital em ambiente virtual e propicia uma imagem de segurança e seriedade para quem está do outro lado da tela. No caso da compra de um produto, por exemplo, eu sei a quem recorrer, onde este site/empresa está localizado, quem é o responsável por aquela ferramenta.

Além disso, ele assegura um nível diferenciado de informação e como ferramenta para comercializar produtos e construir melhores interações de marketing.

Se os seus concorrentes estão na web e a sua empresa ainda não possui uma página, certamente, você perde oportunidades de ampliar a base de clientes e o potencial de vendas.

 

Redes sociais substituem os sites no processo de comunicação?

De forma nenhuma! As redes sociais são apenas um dos pontos de contato com o seu público. Nelas não há a possibilidade de aprofundar um tema, por exemplo. Elas estreitam as relações com o consumidor e com o seu público, mas não substituem os sites institucionais, que é onde os empresários e empresas podem explorar de maneira mais ampla aquilo que oferecem.

 

Mas vemos um número grande de empresas e organizações se dedicando apenas às redes socias

É verdade. Mas temos que destacar a volatilidade dessas redes. E nisso, podemos citar o falecido Orkut. Quantas redes sociais eram promissoras e não se mantiveram? Em um mundo que muda tão rapidamente, quem pode assegurar a longevidade das atuais redes disponíveis? Se uma empresa concentra as suas informações em apenas um canal, ela acaba se perdendo em um mar de conteúdos voláteis. Já em um site, um ambiente virtual mais coeso, as informações não se perdem, muito pelo contrário, elas estão concentradas, disponíveis em um único lugar, e somente um caminho pode levar o seu público àquela informação, diferente de ficar “caçando” um post ou outro.

Que fique claro que não sou contra as redes sociais, gosto da interação que elas oferecem e a proximidade com o público. Acho interessante a forma como elas aproximaram as marcas das pessoas, no entanto, o estreitamento de laços acabou criando um novo problema: as empresas não dão conta de responder a todas as críticas, comentários, dúvidas e sugestões do seu público, e isso transmite uma imagem de descaso. Diz o ditado que “quem está na chuva é para se molhar”, se a empresa optar por manter apenas as redes sociais, que esteja preparada para lidar com tudo de bom (e nem tão bom) que ela pode propiciar.

 

Qual o maior problema de centralizar as estratégias de comunicação nas redes sociais?

Acredito que o maior problema de concentrar as suas estratégias de comunicação nas redes sociais é o fato de não atingir a todos os públicos. Se eu quero “conversar” com um gestor de uma empresa, que tenha por volta de 60/70 anos, em plena atividade profissional, e minha empresa está somente nas redes sociais (considerando essa pessoa como conservadora, avessa à tecnologia), eu perdi um cliente potencial, porque ninguém é obrigado a estar em uma rede social para estabelecer um contato. Além disso, a impessoalidade da comunicação é outro entrave. As redes sociais trouxeram uma forma “descolada” de se comunicar. Todo mundo é amigo de infância de todo mundo, ídolo e admirador. Muitas empresas, por vezes, não estão abertas a receber comentários negativos, nem críticas. Dessa forma, cria-se um ruído, ou um abismo na comunicação, porque o consumidor desconhece o seu interlocutor. E isso, na cadeia de consumo, pode ser desastroso. Sempre digo que se leva anos para construir uma reputação, e apenas segundos para destruí-la. É importante que os empresários avaliem isso e considerem a possibilidade de manter e aprimorar cada vez mais os seus sites, mantendo em paralelo as redes sociais para uma estratégia de comunicação mais curta e direta. Acredito que toda comunicação em redes sociais deve convergir para um site que apresente a história da empresa, seus produtos, missão, visão, valores.

 

O que um site institucional deve oferecer?

Primeiramente, ele deve apresentar seu negócio de maneira ampla, contar a sua história, demonstrar o seu propósito. Em segundo lugar, ele deve reunir informações sobre os seus produtos, as suas instalações, aquilo que o cliente pode encontrar lá, as formas de negócio. Se faz delivery, se é possível fazer compras em sua loja virtual, se for o caso, quais formas de pagamento são aceitas, política de trocas, conteúdo específico sobre o seu mercado, dentre outros.

Se esse estabelecimento possui uma assessoria de imprensa, por exemplo, é importante mostrar em quais veículos de comunicação ele foi notícia, pois isso confere autoridade ao seu negócio. Ninguém é notícia se não tiver nada a dizer.

Além de estar otimizado para as ferramentas de busca, SEO e ser responsivo, sendo visualizado facilmente em qualquer tipo de dispositivo.

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