Cresce o número de mulheres empreendedoras no Brasil

Estudo realizado pela Rede Mulher Empreendedora concluiu que 85% das mulheres que responderam à pesquisa têm negócio próprio.


26/10/2018 10h39

O atual cenário político e econômico do país tem provocado muitas mudanças na vida da população brasileira, especialmente, das mulheres. De acordo com dados da Receita Federal, até fevereiro deste ano, 48% dos cadastros de Microempreendedor Individual (MEI) foram de mulheres.

Com o objetivo de traçar o perfil das mulheres que gerenciam o próprio negócio no Brasil, a Rede Mulher Empreendedora (RME) realizou um estudo com 1.376 mulheres de diferentes regiões do Brasil. O resultado revelou que 85% delas são proprietárias de empresa e 15% pensam em empreender.

Inserido no panorama real de economia, negócio e comportamento, dentro e fora das empresas, o estudo abrangeu a forma como a mulher encara decisões diante de seus conflitos diários relacionados à maternidade, carreira, se recebe apoio do parceiro e da família, situação financeira, preconceito e principais desafios de abrir a própria empresa. “A importância de fazer uma pesquisa com foco na mulher é levar dados inéditos para o mercado, tanto financeiro quanto empreendedor, para que ambos olhem para elas de maneira mais focada em suas necessidades. Afinal, as mulheres costumam empreender de um modo muito solitário, pois não sentem apoio desses segmentos quando os buscam”, explica Ana Fontes, fundadora da RME e especialista em empoderamento e empreendedorismo feminino.

De modo geral, a pesquisa constatou que a mulher empreendedora no país tem 38 anos em média, 80% possuem escolaridade em nível superior ou mais e a maioria é casada, com filhos e apresenta grau de escolaridade um pouco maior que aquelas que planejam empreender. Geralmente, conta com o apoio da família para cuidar da casa, mas não sabe delegar muito bem as tarefas, tanto as domésticas quanto as da empresa. Tem dificuldade com planejamento financeiro e participa de diversos eventos de capacitação e networking. Ah! A empreendedora é otimista, acima de tudo.

De acordo com Ana, entre as principais vantagens de haver mais mulheres à frente dos negócios, está o fato de que elas tornam tudo à sua volta melhor, devido à perspicácia feminina, e empregam mais mulheres, gerando aumento de produtividade nas comunidades em que atuam. “Multiplique isso por milhões de empreendedoras no Brasil. O cenário é bem otimista”, ressalta.

Por que elas resolvem empreender?

A necessidade de flexibilidade de horários é uma das principais motivações para essa tomada de decisão, além da maternidade e da busca pela independência financeira. De acordo com a pesquisa, 75% das empreendedoras decidem ter um negócio após a maternidade, para ter horário flexível de trabalho e poder cuidar mais de perto do filho. A maioria é das classes B e C e 44% delas são chefes de família.

 

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As mulheres destacam-se entre os “novos empreendedores”, o que foi confirmado pela pesquisa: 42% das entrevistadas iniciaram seus negócios há menos de três anos, 19% estão no período conhecido como “dor do crescimento” – de três a seis anos –, no qual a empresa quebra ou sobrevive, e 39% já estão no patamar de consolidação e crescimento, fase que se dá a partir de seis anos do início de operação da empresa. Para comandar os negócios, elas precisam de apoio nas demais tarefas de sua vida, como os cuidados com filhos, marido e casa, mas, para isso, é necessário contar com o auxílio de outras pessoas. Conforme dados do estudo, 76% da colaboração vem dos maridos. Na classe C, as redes de apoio são menores.

Para a especialista, as mulheres estão empreendendo mais, porém, para se tornarem melhores como empresárias, ainda precisam de mais contribuição familiar na divisão de tarefas, acesso ao crédito e políticas públicas que incentivem o crescimento de seus negócios. “A constatação da relação da mulher (mãe) com o empreendedorismo ainda parece mais uma necessidade do que uma opção”, finaliza.

Fonte: Revista Varejo S.A.


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