Empresários pedem adiamento da discussão sobre redução da jornada

Assunto foi tratado diretamente com o presidente da Câmara dos Deputados e empresariado começa a movimentar parlamentares


24/02/2010 00h00

O presidente da CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil), José Paulo Cairoli, se encontrou na terça-feira (23) com o presidente da Câmara, Michel Temer, para pedir o adiamento da discussão sobre a proposta que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Segundo Cairoli, a discussão não é apropriada em ano eleitoral, pois pode influenciar diretamente questões ligadas à eleição. A entidade afirmou ainda que o projeto aumentará o desemprego e a informalidade no País.

“Ao contrário do discurso disseminado pelos sindicatos dos trabalhadores, a redução da jornada de trabalho de 40 horas vai aumentar o desemprego e a informalidade no momento em que o mundo está saindo da crise econômica”, declarou Cairoli.

Assim como a CACB, os dirigentes das indústrias dos estados acreditam que o debate sobre a jornada de 40 horas semanais não deve ser realizado nesse momento. Para os empresários, a medida elevará os custos e diminuirá a competitividade das empresas.

“Como estamos em ano eleitoral, há uma confusão sobre o verdadeiro interesse de se reduzir a jornada”, argumentou o presidente da Fiesp e do Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf.

De acordo com Skaf, a jornada média brasileira é de 41 horas semanais. Ele afirmou ainda que, se houver redução, setores intensivos de mão-de-obra, como têxtil e calçados, serão prejudicados.

Para o presidente do Findes (Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo), Lucas Izoton, a proposta trata todos de forma igual, o que prejudica as MPEs (Micro e Pequenas Empresas), que representam 60% do emprego formal.

“Não é sensato obrigar a redução da jornada independente das diferenças de empresas”, enfatizou Izoton


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